Mostrando postagens com marcador Alfabetização. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alfabetização. Mostrar todas as postagens

domingo, 10 de junho de 2018

Desafios da Educação de Jovens e Adultos




Um dos grandes desafios encontrados pelos educadores da EJA é a evasão, tendo em vista que a clientela dessa modalidade geralmente trabalha durante o dia e isso acaba atrapalhando sua rotina escolar, pois muitas vezes estão cansados e isso é um fator que favorece a evasão.
Outro favor enfrentado pelos professores e escolas é a dificuldades que esses alunos apresentam, poucos como aponta Hara, aprendem com competência.
Existe outros fatores também, de nível social, muitos alunos dessa modelidade são marginalizados pela sociedade, muitos não são alfabetizados e pouquíssimos são letrados. A maioria é muito pobre, apresentando muitas dificuldades cognitivas que não tiveram acesso a escola no tempo de escolarização. E isso gera esse pré-conceito na vida em sociedade. Sabemos que a língua, sua leitura e escrita tem poder, logo esses alunos não são empoderados no seu ambiente social.
O desafio enfrentado pelo professor da EJA é enorme, não basta só alfabetizar, é preciso alfabetizar com competência e motivar esses alunos para a aprendizagem, porém como aponta Hara, isso é pouco encontrado. Sabemos o quanto nossa sociedade é elitizada, sendo assim a educação com competências não ocorre para todos da mesma forma.

Finalizo esse relato com um poema da Conceição Evaristo, pois me remete muito a esses desafios.

Do fogo que em mim arde

Sim, eu trago o fogo,
o outro,
não aquele que te apraz.
Ele queima sim,
é chama voraz
que derrete o bivo de teu pincel
incendiando até ás cinzas
O desejo-desenho que fazes de mim.


Sim, eu trago o fogo,
o outro,
aquele que me faz,
e que molda a dura pena
de minha escrita.
é este o fogo,
o meu, o que me arde
e cunha a minha face
na letra desenho
do auto-retrato meu.

Conceição Evaristo, no livro “Poemas da recordação e outros movimentos”. 

Belo Horizonte: Nandyala, 2008.




quinta-feira, 19 de abril de 2018

Empowerment




Ao ler o texto do Giroux[1], percebemos que a alfabetização está muito ligada ao  empowerment político, que é aquele neologismo criado por Freire, que enfatiza o ato ou efeito de promover a conscientização e tomada de poder de uma pessoa ou grupo social, o chamado empoderamento que deriva desse termo inglês.
E a alfabetização é isso, é um empoderamente de uma classe a muito dominada pela classe dominante, sendo a educação um ato político. Assim como afirma Gramsci, que encarou a alfabetização como uma prática social. E ela é, pois através da alfabetização, os sujeitos se tornam sujeitos letrados e isso faz com que as pessoas possam participam da compreensão e da transformação da sua sociedade, como nos traz Giroux.

Definir alfabetização no sentido freiriano, como leitura do mundo e da palavra, é analisar a produção do conhecimento e da construção das subjetividades de alunos e professores em seus próprios mundos. A ideia de que o conhecimento não se pode construir fora do embate pedagógico perde-se no pressuposto errôneo, quando da noção da teoria crítica da educação ou é subteorizada ou esquecida, uma vez que os alunos dão mais importância às próprias vidas e experiências.
E no exemplo de professora que oferece aos alunos textos feministas, temos a natureza da correção política e ideológica de sua posição, assumindo um discurso autoritário e negando o questionamento e investigação do sexismo – calando as vozes dos alunos. Deveria sobre o aspecto individual e social, introduzir a linguagem do empowerment e da ética radical levando-os a pensar sobre a vida em comunidade – projeto do possível. E cabe ao professor criar condições de identificação e a problematização das maneiras contraditórias e múltiplas que os alunos veem o mundo; os educadores críticos devem apresentar capacidade tanto para ensinar quanto para aprender com outros; além das vozes do professor, da escola e do aluno devem caminhar juntas estabelecendo base para o desenvolvimento de alianças e projetos que geram dialogo e lutas proporcionando que suas posições sejam ouvidas fora das salas de aula e na comunidade mais ampla.



A alfabetização é um veiculo ideológico, principalmente para os sujeitos marginalizados da nossa sociedade. A alfabetização dá voz a um povo calado! 

sábado, 10 de outubro de 2015

Um pensamento brilhante...



"Todo professor que atua na Educação Infantil e Anos Iniciais deve se considerar alfabetizador. A alfabetização, entendida do ponto de vista construtivista, é um processo que se completa ao longo do tempo e não se resume à decodificação, ou às primeiras séries. Defendo a ideia de que todo professor, independente de área ou etapa de atuação, deveria compreender esse processo, o que não significa atuar em seu início.

Em função disso, quanto mais os docentes assumirem a alfabetização como processo, mais leitores formaremos."

Pensamento da Professora Darli Collares. Emoticon heart

Sobre alfabetização...

Fui alfabetizada no final dos anos 80, onde os professores estavam pensando em novas metodologias. Ou seja, havia uma alternância entre o “método da abelhinha” e o chamado “novo construtivismo”. Emília Ferreiro estava no auge nessa época ao mesmo tempo que a cartilha era o livro base da minha professora de primeira série. Saí da 1ª série lendo e escrevendo com uma letra bem desenhada, devido aos incontáveis exercícios de caligrafia que fazia na escola e em casa. Mas, não sai letrada da 1ª série, o que era bastante compreensível naquela época, visto que os professores nem sabiam o que era letramento. Eu era uma aluna com déficit de atenção, o que também não era compreendido pela minha professora, que me taxava de desleixada e incomodativa. Nessa época os problemas de aprendizado não eram estudados também. Minha professora, detinha todo o saber e minha mãe concordava com ela, eu era vista como uma “folha em branco” que estava aprendendo tudo na escola. Atualmente temos Becker para nos explicar as epistemologias.
Hoje, sendo alfabetizadora há 9 anos, não julgo a minha professora. Falar sobre alfabetização é fácil, difícil é praticar todas as teorias e metodologias estudadas. É um desafio achar o jeito certo de ensinar e letrar uma criança. Eu na minha sala de aula não sigo nenhuma metodologia especifica, tento misturar várias. Geralmente, parto do todo para a unidade utilizando também a fonética. E tento construir atividades significativas para meus alunos, inclusive o famoso alfabeto que fica em cima do quadro, na minha sala o utilizo de outra forma. Tornar o ambiente alfabetizador onde a criança se identifique. Não me sinto uma professora construtivista e noto que a maioria dos professores que se dizem não sabem de fato o que é o construtivismo. Entende que o construtivismo é uma teoria e não uma metodologia.
Fazer com que o aluno participe ativamente do próprio aprendizado ao mesmo tempo que esse aluno não pode escolher o tipo de letra com que quer escrever é um tanto contraditório. Letra cursiva em ciclo de alfabetização? O aluno precisa ler e entender o que está escrevendo, não adianta ter a letra linda e não assimilar as letras que escreve. Tenho uma crítica bem forte quanto ao uso da letra cursiva. Outra preocupação quanto a alfabetização, recai sobre aqueles alunos que não evoluem no processo de escrita alfabética. O que fazemos nós alfabetizadoras? E quando a família deste aluno não colabora com a escola e nem se importa em ajudar esse aluno no seu processo. O que fazemos? E será que precisamos padronizar essas crianças na mesma caixa e na mesma hipótese? A sociedade está tão multicultural, porque as teorias e metodologias não estão dando conta dessa multicultura? Volto a perguntar, o que nós alfabetizadora fazemos?
Penso também que não basta o aluno reconhecer as letras do alfabeto e seus sons e juntar as sílabas e formar palavras. O aluno precisa entender o que ele lê e precisa saber vivenciar o que está lendo e escrevendo. Precisa compreender que escrever e ler não é só para o professor corrigir, é para a vida. Não precisamos de exercícios mecânicos para tornar esse aluno um copista, o que precisamos é de atividades para fazer esse aluno pensar e desta forma construir seu saber. E como ter todas essas atividades necessárias, quanto o governo não dá suporte?
O professor precisa se despir do seu ego de professor que sabe tudo e ir buscar o que melhor cabe para seus alunos. Os índices de alfabetização não estão bons, mas não somos quantitativos, precisamos começar a refletir sobre nossa pratica de alfabetizadores e tentarmos melhorar isso em sala de aula, números não importam, a qualidade de ensino sim.