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segunda-feira, 1 de julho de 2019

Reflexão 9º semestre: a última reflexão

Colegas, UFRGS, 2019.


Considerando a releitura das postagens dos semestres do curso realizadas em meu Portfólio de Aprendizagem, percebo que a experiência enquanto professora titular e, concomitantemente como estudante é rica pela sua complexidade e suas possibilidades.
A reflexão serve para ressignificar a prática, seja ela docente ou pessoal. Penso que ser uma professora reflexiva, é ser uma professora que se permite pensar a respeito do seu trabalho, usando a criticidade como ferramenta orientadora para deste modo ressignificar sua prática, ou não. E deste modo, ressignificar o jeito que seus alunos e alunas aprendem, pois mudando o jeito que esses sujeitos aprendem, pode-se mudar o espaço escolar.
            Ao longo do curso e desses semestres, a reflexão teve um papel ativo na nossa prática alunas-professoras, porém percebi que no estágio curricular, a reflexão se tornou ação em sala de aula e na construção do TCC essa ação se fez presente e com isso percebo o quanto estou evoluindo como professora e como fala Alarcão:
Ser professor implica saber quem sou, as razões pelas quais faço o que faço e conciencializar-me do lugar que ocupo na sociedade. Numa perspectiva de promoção do estatuto da profissão docente, os professores têm de ser agentes activos do seu próprio desenvolvimento e do funcionamento das escolas como organização ao serviço do grande projecto social que é a formação dos educandos. (ALARCÃO, 1996, p.24).
            Faz-se necessário ao docente fazer suas reflexões e oportunizar que seus alunos e alunas também o façam, já que esses momentos de reflexão servem para nos fazer evoluir como sujeitos críticos, para atuar na sociedade de forma participativa.
            Refletir sobre os semestres do curso foi bastante enriquecedor, para perceber o quanto evoluímos. 
            Essas reflexões ao longo do semestre, ligadas à prática do estágio  e ao TCC oportunizaram um diálogo com nossos saberes e com nossos alunos sobre as suas próprias reflexões.
            Em essência, a escola democrática envolve a convivência entre sujeitos que se afirmam como tal e a educação só se faz se ela for democrática e os professores precisam oportunizar situações de aprendizagem e mediar os diálogos, tornando esse processo uma ação dialógica.
            Ninguém largou a mão de ninguém durante esses 4 anos e meio de curso, nos tornamos professoras reflexivas, que ressignificam sua sala de aula, sendo colaborativas e em prol do coletivo, seja em nossa sala de aula ou na sala de aula dos nossos professores.
            Evoluímos nesse processo, ganhamos asas e agora vamos voar.

Reflexão 8º semestre: o estágio



Minha turma no estágio

O período de estágio e toda a preparação para essas nove semanas foram uma experiência desafiadora enquanto professora-estagiária, principalmente no que se refere a minha formação e a ressignificação do meu papel de docente enquanto professora titular. Consegui articular na minha prática, os conhecimentos teóricos e fazer a mediação com a tecnologia e principalmente fazer a aproximação professor-aluno, que também é fundamental para o desenvolvimento do trabalho.
Ao longo das nove semanas de estágio, oportunizei que meus alunos e alunas se sentissem à vontade para participar do processo de ensino e aprendizagem, tornando-os sujeitos ativos e conscientes dentro do projeto de aprendizagem.
O projeto desenvolvido teve um ótimo aproveitamento, todas as metas e objetivos do projeto foram atingidos de modo eficiente.  Os alunos e alunas ampliaram seus conhecimentos e construíram suas aprendizagens, de acordo com as suas dúvidas e certezas acerca do tema do projeto.
A integração dos saberes com a tecnologia foi muito positiva, pois trouxe inúmeros benefícios para a aprendizagem desses alunos, tornando a sala de aula um espaço mais democrático, lúdico e inclusivo.
Foram nove semanas de questionamentos sobre a docência e sobre minha metodologia, nas mudanças necessárias para que meus alunos se tornassem sujeitos ativos no seu processo de aprendizagem e a certeza que o título de Pedagoga está atrelado à responsabilidade metodológica para redefinir o contexto de sala de aula e trazer avanços para a escola, principalmente de tornar a prática docente cada vez mais provocadora e significativa.


domingo, 30 de junho de 2019

Reflexão 8º semestre: estágio


(curta finalização do estágio)

Lendo essa postagem sobre o 8º semestre, fiquei refletindo sobre o quanto foi importante as nove semanas de estágio curricular.
O projeto realizado na prática de estagio curricular, com a turma de 3º ano teve como objetivo principal oportunizar possibilidades para que os alunos e alunas despertassem o interesse e se motivassem para aprender por prazer de forma diferenciada, visando o desenvolvimento integral do mesmo, de forma crítica e autônoma. Exercitando desta forma sua curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das Ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e inventar soluções com base nos conhecimentos das diferentes áreas.
O estagio curricular ressignifica também a prática do professor que já atua em sala de aula, associada às dimensões teóricas. De acordo com Rela, Carvalho e Nevado:

O estágio como componente curricular tem importância fundamental para a formação docente. É sabido que apenas a inserção na realidade escolar não é garantia para o desenvolvimento das competências necessárias à profissão docente. É necessário que, a partir das experiências concretas oportunizadas pelo efetivo exercício da docência, o acadêmico tenha condições de refletir, analisar e compreender sua ação, identificar problemas e, subsidiando-se da teoria, buscar alternativas para o enfrentamento da situação, voltando à prática para então modificá-la e ressignificá-la, em um movimento contínuo e dinâmico de ação-reflexão-ação. (RELA, CARVALHO E NEVADO, 2010, p. 14)

O estágio foi uma etapa fundamental para minha ressignificação enquanto professora. E para meus alunos e alunas, que se tornaram pesquisadores e construtores dos seus saberes.

sábado, 29 de junho de 2019

Reflexão 7º semestre: inovações pedagógicas

Postais sobre diversidade feito pelos alunos para distribuir na comunidade escolar 



Lendo sobre essa postagem aqui sobre inovação pedagógica, fiquei refletindo sobre o assunto e pensar em inovação pedagógica é pensar em ressignificação.
Porque ressignifiação? Porque é na inovação que a gente muda, promove a ação. Ação de uma mudança pedagógica, trazendo para sala de aula inovações para trabalhar os conteúdos  de forma diferente e criativa, que estimula o aprendizado dos alunos e alunas, trazendo novas metodologias e acrescentando no planejamento elementos necessários para articular esses conteúdos para transformar a construção do saber.
É muito importante que, enquanto professoras, possamos trazer essas inovações ao planejamento e a sala de aula, pois ao criar novas estratégias, amplia um ensino de qualidade.
Entretanto para que essa ressiginificação aconteça, é necessário também, uma inovação da nossa postura enquanto professores e também de reconhecer o ensino como pratica social.
Essa inovação trazendo ressignificação para o professor e para a sala de aula influencia o social também, pois vendo a aprendizagem como prática social não se limita só em sala de aula e aos conteúdos, vai além. Assim, aprender e ensinar requer reflexão e inovação.
Foi exatamente isso que fiz no estágio obrigatório semestre passado, mudei a metodologia, trabalhando com projetos e fazendo os alunos e alunas serem pesquisadores, construindo dessa forma sua aprendizagem, me tornando mediadora dessa construção. E o projeto, a pesquisa, o tema, serviu para ir além da sala de aula, desconstruindo preconceitos do meio social em que esses alunos e alunas estavam inseridos.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Reflexão 7º semestre: alfabetização e empoderamento



Produção de um aluno, no projeto Democracia

Pensando em empoderamento e alfabetização, depois de ler essa postagem aqui, fiquei pensando na importância de alfabetizar os sujeitos que estão na escola pública, escrevi no meu TCC que alfabetizar é uma espécie de luta, luta porque como afirma Gramsci, que encarou a alfabetização como uma prática social. E ela é, pois através da alfabetização, os sujeitos se tornam sujeitos letrados e isso faz com que as pessoas possam participam da compreensão e da transformação da sua sociedade.
Enquanto professoras, devemos pensar na alfabetização. E na importância de alfabetizar os alunos e alunas.
A aprendizagem da leitura e escrita tem que centrar o aluno e o seu conhecimento e perceber que esse desenvolvimento é evolutivo e o professor e a professora precisam ser os agentes transformadores e por isso devem conhecer as teorias e metodologias para  desenvolverem a melhor para sua turma e seus alunos e alunas, tornando um ambiente alfabetizador onde possa haver uma interação entre o mostrar para o professor  e professora e levar a leitura para o mundo. Porque alfabetizar não é somente ensinar letras e sílabas. Segundo Emília Ferreiro, a evolução da escrita passa por etapas nas quais as crianças repetem em sua história particular, mas que não ocorre para todas da mesma maneira, por isso precisamos ter entendimento e conhecer nossos alunos e alunas.
E devemos empoderar nossos alunos e alunas, através dessa alfabetizando, fazendo com que esses sujeitos tenham poder na nossa sociedade, através da sua voz, da sua escrita, da sua leitura de mundo.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Reflexão 6º semestre: Modelos Pedagógicos




Pensando na postagem sobre  ModelosPedagógicos e trazendo a reflexão para hoje e depois de ler e ver vários vídeos sobre construtivismo, modelos epistemológicos e Piaget com sua teoria do desenvolvimento, percebemos o quanto o conhecimento cientifico e com base nas experiências, principalmente no campo da educação tem importância. E o quanto é importante ressignificarmos nossa prática, principalmente em sala de aula, pois como nos coloca Becker, cadê a experiência? Cadê a intuição? Cadê as perguntas? Precisamos deixar as cópias de lado, precisamos deixar o aluno construir seu saber e precisamos sair do comando, como nos traz Freire, onde aponta a questão do comando do professor. Precisamos abrir mão desse poder, para dar poder para nossos alunos.
O questionamento que fica é sobre o professor que tenta ensinar conhecimento cientifico, mas segue professando epistemologia do senso comum, que são aqueles 3 modelos, chamados de apriorismo, empirismo e construtivismo. Sendo que o apriorismo é aquele que os alunos são rotulados, ao adentrar no espaço escolar, inclusive pelos seus professores. E sendo o construtivismo uma critica aos primeiros modelos, mas que ainda estamos perdidos ao tentarmos ser construtivistas. Sendo que a escola ainda não está preparada para essa mudança e muitas vezes o professor sofre pressão pelo seu agir diferente. Assim como Lino de Macedo nos aponta, sobre a importância do construtivismo, como contribuição para educação e a importância da ação.

Portanto, tudo que foi visto e lido, nos remete muito a essa postura de reflexão do professor e de ação, em prol de uma pratica mais diferenciada, oportunizando aos alunos um ensino de construção e não somente de copias. O professor tem papel importante nessa nova ação, principalmente porque é através dele que se dá essa construção de conhecimento.
E fica a reflexão mais um pouco, qual modelo estamos seguindo?
E que diferença ele faz na vida dos nossos alunos e alunas?


terça-feira, 18 de junho de 2019

Reflexão 5º semestre: Escola Democrática





Pensando sobre escola democrática, me deparei com essa publicação no meu portfólio. Um poema feito por mim sobre esse tema.

Hoje, diante de tantas mazelas e descaso com a educação, estar inspirada para escrever poemas é bem difícil.

Estamos, enquanto professoras, esgotadas com esse descaso todo.
Porém, enquanto alunas-professoras, ainda temos esperança na mudança.
Ainda acreditamos na educação de qualidade, justa, de equidade, numa escola democrática, com uma gestão comprometida.

A escola democrática é um espaço de construção baseada na democracia, em especial como aponta Tosto (2011), na democracia participativa. Sendo muito importante a participação de todos para que a aprendizagem ocorra. Outro ponto importante desta escola democrática é o corpo docente,  que valoriza a liberdade dos seus alunos, o direito de escolher.

Como afirma Tosto (2011):

Nesse modelo de escola, os alunos são incentivados a buscar o conhecimento a partir do seu próprio interesse, iniciativa, ritmo e também são responsáveis pelo desenvolvimento intelectual, sem cobranças autoritárias de qualquer entidades superiores de ensino. Os conteúdos que devem ser aprendidos costumam estar muito próximos da estrutura cognitiva dos alunos, assim como dos seus interesses e expectativas de conhecimento.

O professor nessa escola se torna um mediador, um articular do conhecimento e os alunos e alunas são os protagonistas desse processo de aprendizagem.

            Precisamos continuar acreditando nessa educação, nessa escola. Precisamos continuar lutando para que esse ideal não vire utopia. Nossos alunos merecem uma escola democrática, nós como professoras também merecemos. A sociedade merece!




TOSTO, Rosanei.Escolas Democráticas Utopias ou Realidades; Revista Pandora Brasil- Edição Especial Nº4- “Cultura e materialidade escolar”- 2011

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Professora lutando também está ensinando!

Precisamos sair da caixa comum e trazer para nossas salas de aulas, momentos de reflexão com nossos alunos, para que eles possam desenvolver seu lado critico e refletir sobre o que estão aprendendo e o que querem da sociedade em que vivem. Eles podem vir a mudar essa sociedade, mas para isso não podem só aceitar o que é imposto, eles devem atuar. Freire propõe ao professor uma mudança de atitude, em virtude de que o educador além de atuar em sala de aula como professor conteúdista, esse profissional possa conscientizar, orientar e preparar seus alunos para a vida, guiando-os sempre para os caminhos corretos, capazes de fazer desses alunos no futuro, verdadeiros cidadãos com senso crítico, munidos não só de inteligência, mas também de valores. Após 94 dias em greve, voltei dela e fiz meus alunos perceberem a importância de uma greve. E o porquê não estar calado diante das coisas como são é importante para mudar essas coisas. É isso que quero na minha sala de aula e é esse meu objetivo como professora. Formar alunos para serem críticos da nossa sociedade e além de serem críticos, transformarem a sociedade numa sociedade mais justa e igualitária, onde todos tenham acesso além de só direito a uma educação de qualidade. Sabemos que nem sempre é fácil atender a demanda de alunos que temos em sala de aula desta forma que Freire tanto desejava, mas não é impossível. E com certeza isso é feito pela maioria dos professores que permanecem apaixonados pela arte de ensinar. Apesar dos seus salários risíveis, estamos na luta por essa educação igualitária e justa e seguimos com o nosso propósito inicial de educar e consequentemente aprender com nossos alunos.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Vamos escrever?





"Pra escrever.
Escrever de verdade.
Palavras, textos, suspiros que as pessoas queiram, precisem, gostem de ler.
Que provoquem faíscas.
Que façam pensar.
Que mudem o mundo.
Pois pessoas são mundos, a gente repete.
É preciso se despir.
De preconceito, achismo, orgulho, salto alto, superioridade, carão.
E enlarguecer..." (Cris Lisbôa) 


Sempre que escrevemos algo, é justamente para provocar inquietação e reflexão em quem for ler. E é pra isso que a escrita serve, é o objetivo da cultura e da educação. Pensar sobre, concordando ou não, mas fazer pensar. A escrita serve para alumiar, isto é, acender todas as luzes apagadas na mente do leitor ao provocar reflexões e inquietações. Dizemos nas entrelinhas o que gostaríamos de dizer ao nosso leitor e muitas vezes essa escrita é carregada de referências de autores que estudamos, de autores que admiramos, de autores que gostamos. Essas referências nos dão base para uma escrita carregada de contribuições, deixando muitas vezes nossos textos autorais mais ricos e mais argumentativos. Necessitamos ainda, ter cuidado para não nos apropriarmos de uma ideia como nossa, precisamos ser autores dos nossos textos.


E nosso maior desafio como educadores é formar alunos praticantes da leitura e produtores da sua escrita, que possam ser lidos pelos outros sujeitos. Pra isso precisamos escrever e ler para esse aluno. E precisamos escrever todo dia. Algumas pessoas são dotadas de talento para a escrita, bem sabemos isso, através dos nossos alunos, porém nem sempre talento é tudo na vida, precisamos de determinação para ficar fazendo muitas vezes o que precisamos fazer, se queremos que nossos alunos sejam produtores, precisamos ensinar isso a eles e para ensinarmos, precisamos saber. E saber é parar com o mimimi e praticar, muitas e muitas vezes. E um dia, vamos perceber que estamos escrevemos, independente de nossos autores preferidos, por mais que tenhamos a tendência de sempre os colocar na nossa escrita, inclusive nas entrelinhas. 

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Gaiolas ou Asas?



Rubem Alves traduziu brilhantemente em palavras minha grande inquietação como professora.

Será que somos gaiolas ou asas?

Muitas vezes, penso que somos gaiolas. Gaiolas que não dão liberdade. Gaiolas que não oportunizam. Gaiolas que não valorizam. Gaiolas reprodutoras. Muitas vezes, nos tornamos gaiolas diante de tanto descaso ou por puro cansado, mas somos gaiolas. Vivemos dentro desses prédios de tijolos chamados de escolas que poderiam ser chamados de gaiolas e dentro dele acabamos enfileirando nossos pássaros, não criando oportunidade de crescimento pois estamos ali só reproduzindo o que já nos foi ensinando e o que nos cobram. Dentro dessas gaiolas temos obrigações, listas de regras e conteúdos a seguir, não podemos respirar ou cantar, as vezes só lamentamos. São tantas mazelas, são tantos pássaros enfileirados que parecem gaiolas de caixinhas, todos têm que possuir a mesma forma, senão acabam sendo depenados. Obrigamos nossos pássaros a ficarem 4 horas nessas gaiolinhas, sem fazê-los ver o mundo. 

Que triste realidade a nossa... Nossa gaiola.

Mas em outras tantas vezes, nos vejo como asas. ASAS. ASAS que batem livremente, que democraticamente escolhemos ser. Somos asas quanto assumimos as responsabilidades que nos pertencem e criamos. Somos asas quando damos oportunidades dos nossos pássaros serem livres e pensantes. Somos asas quando damos liberdade para percorrer o mundo, quando não engaiolamos e deixamos nossos pássaros cantarem livremente a melodia que desejarem, porque somos asas quando aceitamos a escolha do outro, entendemos e fazemos o melhor para esse pássaro atingir o melhor que ele pode. Somos asas quando entendemos que somos diferentes e iguais, porque devemos sempre dar as mãos e andar juntos, para cada vez mais sermos asas e acabarmos com as gaiolas.

Então, muitas vezes somos gaiolas, mas não podemos deixar nossas asas serem cortadas, elas precisam voar e quando isso acontecer com todos, as gaiolas vão deixar de existir.


Há esperanças…  

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Parlendas!

As parlendas são formas literárias tradicionais de origem oral que são recitadas em brincadeiras de crianças. Algumas parlendas são muito antigas e fazem parte do folclore brasileiro. As parlendas são conjuntos de palavras com arrumação rítmica em forma de verso, que podem rimar ou não. Geralmente envolvem alguma brincadeira, jogo, ou movimento corporal. As parlendas podem ser utilizadas em sala de aula, propiciando aprendizagem e divertimento. Pode-se solicitar aos alunos que completem uma parlenda fornecida pelo professor, ou ainda que criem suas próprias versões. Segue abaixo diversas parlendas para serem desenvolvidas com os pequenos.

Deixo aqui um exemplo de sequência didática para trabalhar com parlendas.

Objetivos

·         Reconhecer a parlenda como um gênero textual;
·         Desenvolver a consciência fonológica, enfatizando as rimas;
·         Explorar a oralidade a partir da releitura da parlenda;
·         Ampliar o vocabulário;
·         Reconhecer as vogais;
·         Identificar as letras do nome próprio na parlenda;
·         Identificar palavras e frases da parlenda;
·         Reescrever as parlendas;
·         Interpretar oralmente as parlendas.

 Motivação

Para desenvolver a sequência didática iremos primeiramente mostrar um vídeo que contenha diversas parlendas, para que os alunos saibam o que é antes mesmo de saber seu nome. Após, iremos apresentar o livro selecionado “O jogo da Parlenda” de Heloisa Prieto. Iniciaremos o trabalho com a leitura da primeira parlenda do livro, utilizando dedoches para a contação da parlenda.



 Desenvolvimento das atividades


PARLENDA 1:


Eu fui por um caminho...
Eu também
Encontrei um passarinho...
Eu também
Encontrei um dedo mindinho...
Eu também
Seu-vizinho,
Eu também
Pai de todos,
Eu também
Fura-bolos,
Eu também
 Cata-piolhos,
Eu também


ü  Leitura da parlenda utilizando dedoches. Cada aluno receberá uma cópia da parlenda para acompanhar a leitura da professora.
ü  Exploração oral – interpretação e vocabulário.
ü  Identificar os dedos e seu nome na própria mão.
ü  Proposta artística: pintar os dedos da mão, de acordo com o nome de cada um para brincar.


PARLENDA 2:

Batatinha quando nasce...
Espalha a rama pelo chão.
Menininha quando dorme...
Põe a mão no coração.

ü  Leitura silenciosa dos alunos – apresentar a parlenda utilizando o multimídia. Os alunos irão copiar no caderno.
ü  Exploração: explorar palavras conhecidas, as letras iniciais e finais dessas palavras, identificar as palavras no texto. Após a leitura, alguém gostaria de dizer do que trata a história? Vamos descobrir?
ü  Leitura da professora.
ü  Atividade: dividir a parlenda em dois momentos e desenhar em folha de ofício. Os alunos receberão a cópia da parlenda para recortar e colar na folha.








Batatinha quando nasce...
Espalha a rama pelo chão.








Menininha quando dorme...
Põe a mão no coração.

PARLENDA 3:

Um, dois, feijão com arroz.
Três, quatro, feijão no prato.
Cinco, seis, chegou minha vez.
Sete, oito, comer biscoito.
Nove, dez, comer pastéis.

ü  Leitura silenciosa – cada aluno receberá uma cópia.
ü  Exploração oral – Após a leitura, alguém gostaria de dizer do que trata a história? Vamos descobrir?
ü  Leitura da professora – selecionar palavras de contexto para explorar na atividade a seguir.
ü  Atividade:
Ligar as palavras às figuras correspondentes:

ü  Proposta criativa: montar a parlenda em uma folha de ofício já estruturada para isso, com números móveis para colar e massinha de modelar para montar as comidas citadas.
1, 2
3, 4
5, 6
7, 8

PARLENDA 4:

Rei
Capitão
Soldado
Ladrão
Menino
Menina
Macaco
Simão

ü  Leitura silenciosa – cada aluno com uma cópia.
ü  Explorar oralmente – Após a leitura, alguém gostaria de dizer do que trata a história? Vamos descobrir?
ü  Leitura da professora.
ü  Explorar as rimas: o que rima com capitão? Com macaco? Com menino? Etc. Propor aos alunos uma troca de rimas.
ü  Atividade: expor o texto no quadro e deixar em branco algumas palavras da parlenda, para que os alunos possam acrescentar outras palavras que rimam.

ü  Proposta artística: Confeccionar um jogo da memória de imagens e palavras. Os alunos devem fazer as ilustrações dos personagens da parlenda, formando assim o jogo de imagens e palavras.
PARLENDA 5:

Sola, sapato,
Rei, rainha.
Onde quereis
Que eu vá dormir?
Na casa de mãe
Aninha.

ü  Leitura silenciosa – cada aluno com sua cópia.
ü  Exploração oral – Após a leitura, alguém gostaria de dizer do que trata a história? Vamos descobrir?
ü  Leitura da professora.
ü  Atividade: Entregar apenas as imagens da parlenda aos alunos e pedir para que as coloquem em ordem, colando no caderno. Escrever o nome de forma espontânea ao lado.
ü  Proposta artística: fazer um desenho da parlenda em folha A-3, utilizando tinta tempera. 


terça-feira, 27 de outubro de 2015

Infância e pós-modernidade!

Percebe-se que o termo pós-moderno possui muitas definições e diferentes posicionamento dos autores e desacordos também. Penso que poderíamos definir como contemporaneidade, inicialmente. Sendo também uma ruptura com a modernidade em função do prefixo pós. Podemos destacar também o fortalecimento de um mundo homogeneizado, numa visão marxista. Lyotard, acredita que a experiência da pós-modernidade decorreria da perda de nossas crenças e visões totalizantes da história. Já Lipovetsky supõe que o termo “pós-moderno” entrou em voga e que hoje e a sociedade está em transição para “os tempos hipermodernos” e já vê que o homem hipermoderno está fragilizado pelo medo de uma era de exageros, consumismo e individualismo. Ao passo que Bauman tenta esclarecer a uma confusão semântica, entre o pós-modernismo e o pós-modernidade. O primeiro seria uma forma de ver o mundo e o outro se refere a uma sociedade, uma condição humana. E Bauman mesmo, cria o termo “Modernidade Liquida”, onde fala sobre a passagem da modernidade Sólida para Modernidade Líquida. Pois estamos numa época que nada é mais sólido, as coisas deixaram de serem rígidas e sofrem pressão para moldar-se a novas formas, que veem de encontro com a nova sociedade, onde as coisas se movem com mais facilidade e há uma extraordinária mobilidade, onde a liquidez se faz associação com a leveza. E o que acontece no mundo contemporâneo é o “derretimento” dos sólidos, da solidez das próprias forças que pretendiam gerar e manter a ordem e esse “derretimento” não se transforma em algo sólido e sim em estado fluido. “Tudo o que era sólido se desmancha no ar, tudo o que era sagrado é profanado, e as pessoas são finalmente forçadas a encarar com serenidade sua posição social e suas relações recíprocas”.


Do ponto de vista desta nova sociedade, percebe-se a influência da mídia nos sujeitos, principalmente nas crianças que ainda não formaram todo seu pensamento crítico com as coisas, a mídia tem sido uma das principais produtoras das representações que compartilhamos principalmente o vicio do smartphone, não querendo dizer que é uma representação negativa, mas para ver como as coisas já estão deixando de serem sólidas pois já não importa mais, segundo o texto, expor fortuna e sim parecer jovem e realçar beleza. E nossas casas são bombardeadas a todo tempo através da mídia com padrões de beleza impostos e por isso acabamos nos exigindo para atingirmos esse objetivo do “ideal”, consumindo coisas que a mídia nos vende. E nossa cultura está dominada por imagens onde a mídia tem o papel principal para se criar um universo de ilusão. Penso que as redes sociais são um exemplo forte do “mundo irreal”, onde todos querem ser lindos, maravilhosos e felizes. E as crianças são as que mais sofrem com essa sociedade consumista, seja positivamente ou negativamente, atualmente as crianças necessitam estar sempre conectas para não perderem o que acontece, mesmo que sejam acontecimentos fugazes. Existe também a cobrança em cima dessa infância, onde não se pode de fato ser criança, já são mini adultos em formação e precisam de elementos para isso. Fora que esta criança, precisa estar o tempo todo consumindo informação, o cérebro acaba não descansando.  E isso é abusivo, pois influencia até na relação com os pais, pois elas se tornam distantes da vida real para se tornarem “bonecos infláveis” da vida de ilusão.  Pois, “tudo que é sólido se desfaz no ar”.


domingo, 25 de outubro de 2015

Escrita Cooperativa

Com o trabalho da interdisciplinar de seminário integrador, de escrita cooperativa, percebi que tive muita resistência e já fazendo uma comparação com meus alunos, comecei a entende-los melhor nesse processo de construir um texto coletivo.
Apresentei resistência, pois eu introduzi a história e já tinha toda ela elaborada na minha cabeça, mas as colegas de grupo foram dando outra direção, que nem sempre me satisfez, mas tendo em vista que é um trabalho em grupo, precisamos trabalhar juntas, o que não foi muito bem o caso, já que cada uma deu continuidade a escrita da outra sem questionarmos o que a outra queria dizer.  Percebo que com meus alunos acontecem o mesmo, eles querem deter a escrita dos seus textos, muitas vezes largando de mão quando não evolui da forma que querem, o mesmo está acontecendo comigo, não estou vendo prazer em elaborar esse texto.

Como podemos melhorar isso em sala de aula e como posso melhorar isso como aluna?

Esse trabalho de produção coletiva, deve vir desde a educação infantil, moldando o aluno para a coletividade, nunca fiz até este momento trabalho de produção coletiva. Olha a minha resistência ao novo, a abrir mão de deter o saber do texto para trabalhar com minhas visões, já que que a escrita sempre traz a bagagem de quem escreve.
Com os alunos para a realização desta atividade é necessário que já tenha sido trabalhado com o aluno algumas habilidades de leitura, através de diferentes estratégias, a fim de que ele seja capaz de ler; de interpretar: ilustrações, pequenos textos e histórias. Além da utilização dos recursos das TICs como: tablet, laptop, máquina fotográfica e filmadora. Inovar a aula, para fazer com que esse aluno seja instigado a escrever coletivamente um texto.Já eu como aluna, devo analisar a produção coletiva do meu grupo e ler, verificando se precisa de ajustes. Siga as dicas: Releia a história várias vezes; Veja se é preciso acrescentar mais informações; observe se tem o título; Pesquisar a escrita de palavras que despertarem dúvidas; Verifique se a história pode ser compreendida pelo leitor. E principalmente, trabalhar coletivamente.



quinta-feira, 22 de outubro de 2015

GLOSSÁRIO COM TERMOS PSICANALÍTICOS


- Dra Ruth M. Cerqueira Leite, do Departamento de Psiquiatria da Unicamp -
(Jornal "Folha de São Paulo", Folhetim, 23 de setembro de 1979)

1) Ab-Reação - Descarga emocional, pela qual o afeto ligado a uma recordação traumática é liberado, quando esta, até então inconsciente, chega à consciência. A ab-reação pode ser provocada durante o processo terapêutico, mas põe também ocorrer espontaneamente.
2) Acting-Out - Expressão inglesa, que em sua essência significa substituição momentânea do pensamento pela ação, onde domina o caráter impulsivo, e a incapacidade para raciocinar. Na psicanálise é interpretado como o retorno abrupto de um conteúdo reprimido (ver repressão), cujo afeto é demasiado intenso para ser descarregado em palavras.
3) Afeto - Termo geral que designa os sentimentos e emoções. Considera-se que o afeto nem sempre está ligado à idéia (recordação, representação). No caso em que a recordação é muito dolorosa e ameaçadora, o ego a reprime (ver repressão) mas o afeto correspondente pode se deslocar para outras idéias associadas menos perigosas, ludibriando a censura e liberando-se parcialmente ao chegar à consciência.
4) Agorafobia - Forma de fobia onde o indivíduo teme os espaços abertos (ruas, praças, campos abertos ) e reage com angústia ao ter que enfrentá-los sozinho.
5) Angústia - Reação emocional intensa como resposta a um perigo real ou imaginário (angústia automática). Na psicanálise essa angústia automática é resultado de uma fluxo incontrolável de excitações de origem interna ou externa.
6) Aparelho Psíquico - Designa os modelos concebidos por Freud para explicar a organização e o funcionamento da mente. Para isso ele propôs algumas hipóteses entre as quais as mais conhecidas são: hipótese econômica que concerne essencialmente á quantidade e movimento da energia na atividade psíquica; a hipótese topográfica que tenta localizar a atividade mental em alguma parte do aparelho, que ele divide em: consciente pré-consciente e inconsciente; e a hipótese estrutural na qual ele divide a mente em três instâncias funcionais: Id, ego e superego, atribuindo a cada uma delas uma função específica.
7) Catarse - Método terapêutico que permite a evocação e a revivência de acontecimentos traumáticos que foram reprimidos, permitindo a descarga dos afetos ligados a estes (ver ab-reação).
8) Censura - Barreira que impede que ideais e afetos reprimidos no inconsciente cheguem ao consciente.
9)Claustrofobia - E ação emocional intensa e injustificada a lugares fechados.
10) Complexo de Castração - Ao perceber que há pessoas que não possuem pênis, o menino começa a temer a perda do seu próprio. Sente isso como uma ameaça paterna por suas atividades sexuais e seus desejos incestuosos. A menina sente a ausência de pênis como uma perda já consumada e procura de alguma forma compensá-la. A ansiedade de castração tem um lugar fundamental na evolução da sexualidade infantil dos dois sexos e aparece constantemente na experiência analítica subjacente às modalidades de relacionamento do indivíduo com seu mundo interno e externo.
11) Complexo de Édipo - De acordo com Freud a criança entre 2 e 5 anos aproximadamente desenvolve intenso sentimento de amor pelo genitor do sexo oposto e grande hostilidade pelo do próprio sexo, a quem deseja eliminar como a um rival. Esses sentimentos geralmente são vividos com grande intensidade e ao mesmo tempo com grande ambivalência, pois embora odeie o genitor do mesmo sexo, que o impede de realizar seus desejos, também o ama por tudo de bom que ele representa. Surge então a culpa e o medo à retaliação (medo à castração). Esse conflito geralmente declina após a idade de 5 anos e reaparece com o advento da puberdade, sendo um dos fatores que contribuem para a crise da adolescência. De uma resolução satisfatória desse conflito depende uma boa estruturação da personalidade
12) Condensação - é um processo característico do pensamento inconsciente e no qual duas (ou mais) imagens se combinam para formar uma imagem composta que está investida do afeto derivado de ambas. Encontramos exemplos desse processo nos sonhos principalmente.
13) Conflito - Na psicanálise, refere-se geralmente, ao conflito interno entre impulsos instintivos e entre as instâncias (id, ego e superego) e ao conflito edipiano (Ver Complexo de Édipo).
14) Defesa - É o conjunto de manobras inconscientes (mecanismos de defesa) que o ego se utiliza para evita ameaças à sua própria integridade. Essas ameaças podem surgir pela intensificação dos impulsos instintivos que põem em perigo o equilíbrio do ego, que tem como função harmonizar esse impulsos com os imperativos do superego ("consciência moral") e às exigências da realidade externa.
 15) Ego - É uma das três instâncias (id, ego e superego) que Freud concebeu em um de seus modelos para explicar o funcionamento da mente humana (ver aparelho psíquico). O ego é a parte organizada desse sistema que entra em contato direto com a realidade externa e através de suas funções tem capacidade de atuar sobre esta numa tentativa de adaptação. Por isso, estão sob o domínio do ego as percepções sensoriais, os controles e habilidades para atuar sobre o ambiente, a capacidade de lembrar, comparar e pensar. No âmbito de sua relações com as outras duas instâncias do sistema e o ego assume o papel de mediador e integrador dos impulsos instintivos do id (ver id) e as exigências do superego (ver superego), para adaptá-los à realidade externa.
16) Fantasia - refere-se à atividade imaginativa subjacente a todo pensamento e sensação. As fantasias podem se apresentar sob forma consciente, como acontece nos sonhos diurnos, ou inconscientes, subjacentes a um conteúdo manifesto como nos sonhos ou nos sintomas neuróticos etc. Está sempre ligada intimamente aos desejos instintivos.
17) Fase Anal - É a Segunda do desenvolvimento libidinal (ver libido), e está situada entre um e três anos de idade. Nesta fase os interesses da criança se organizam predominantemente em torno da função anal, pelo prazer que sente na expulsão e retenção das fezes, que ela agora consegue controlar através de um crescente domínio muscular. Esse controle tem também conseqüências importantes no relacionamento interpessoal com o meio ambiente. A criança agora é capaz de dar e negar (as fezes) de colocar esse controle a serviço as expectativas do meio ou de sua necessidade e prazer. As atitudes que se formam nessas interações com o meio vão estabelecer em grande parte as bases de seus futuros relacionamentos.
18) Fase Fálica - Nesta fase que vai de 3 a 5 anos aproximadamente, a libido concentra-se nos órgãos genitais que se tornam a zona erógena predominante. Os conflitos dessa fase estão ligados ao Complexo de Édipo, com o surgimento de desejos incestuosos e seu conseqüente temor à castração. Oscila o seu comportamento entre a iniciativa e a culpa.
19) Fase de Latência - Inicia-se por volta dos 5 anos e se estende até o início da puberdade. Caracteriza-se principalmente pelo declínio dos interesses sexuais, que segundo a teoria psicanalítica são reprimidos e só aparecem na adolescência. Nessa fase tendo superado em parte os conflitos do Complexo de Édipo, amplia seu ambiente social procurando estabelecer novos contatos, assim como se dedica a adquirir novas habilidades na aprendizagem escolar, nos esportes etc.
20) Fase Oral - corresponde ao 1º ano de vida de uma criança, onde seus contatos mais significativos são feitos através da boca. Além de sua função na alimentação, ela é também a sede principal dos prazeres eróticos da criança nessa fase. Podemos observar que uma criança inquieta pode se acalmar com uma chupeta porque a sucção produz uma satisfação erótica que alivia as sensações do organismo.
Nessa fase a criança é essencialmente dependente e receptiva. A incorporação e o modelo básico de seu comportamento nas interações com o meio.
O relacionamento que estabelece com a mãe nesse período da vida vai ter uma importância fundamental na forma que a criança vai configurar o mundo e se relacionar em seu ambiente. Uma boa mãe saberá dosar bem a satisfação das necessidades de seu bebê e as restrições, o que estabelecerá uma base de confiança nos futuros relacionamentos.
Distúrbios no desenvolvimento desta fase geralmente se evidenciam mais tarde por traços de dependência excessiva de outras pessoas, de alimentos (obesidade), de álcool (alcoolismo) ou de qualquer outra coisa.
21) Fixação - Processo pelo qual o indivíduo permanece vinculado a modos de satisfação ou padrões de comportamento característicos de uma fase anterior de seu desenvolvimento libidinal (ver libido). A fixação pode ser também a pessoas significativas da infância. Assim encontramos expressões freqüentemente usadas na psicanálise como fixação oral, fixação anal, fixação maternal, fixação paternal. Chamamos pontos de fixação àqueles momentos do desenvolvimento libidinal que foram perturbados e dos quais o indivíduo permanece fixado ou dos quais regride em estado de tensão.
22) Histeria - Tipos de neurose que se caracterizam principalmente pelos distúrbios funcionais de aparência orgânica, como paralisias, perturbações sensoriais, crises nervosas, sem evidência de patologia física, e que se manifestam de modo a sugerir que servem a alguma função psicológica.
As formas sintomáticas melhor definidas são a "histeria de conversão" onde o conflito psíquico se expressa nos mais diversos sintomas corporais (como paralisias, crises emocionais, anestesias) e a "histeria de angústia" também conhecida como "fobia", onde o agente de perseguição interno é deslocado e fixado em algum objeto (ver Objeto) do mundo externo.
23) Idealização - Processo no qual o indivíduo supervaloriza o objeto (ver objeto) negando-se a ver todos os aspectos que possam desvalorizá-lo.
24) Identificação - Processo pelo qual o indivíduo se torna idêntico a outro pela assimilação de traços ou atributos daquele que lhe serve de modelo. Nesse processo o indivíduo, tanto pode assimilar aspectos de outra pessoa como também pode, identificar em outros aspectos seus. É através das identificações que desde o princípio a personalidade se forma e se diferencia.
25) Id - Uma das instâncias da teoria estrutural (id, ego, superego) do aparelho psíquico. O Id que opera em nível inconsciente contém os impulsos instintivos que se originam na organização somática e ganham aqui expressão psíquica e também idéias e recordações que por serem insuportáveis ao indivíduo foram reprimidas. É considerado como um reservatório de energia, com a qual alimenta também as outras instâncias (ego e superego). Porém, não possui uma organização comparável à do ego, pois é regido pelo Princípio do Prazer, que busca sempre a satisfação, ignorando as diferenças e contradições e sem a capacidade de considerar espaço e tempo. Sua interação com as outras instâncias é geralmente conflituosa pois o ego sob os imperativos do superego e as exigências da realidade tem que avaliar e controlar os impulsos provindos do Id, permitindo sua satisfação, adiando-a ou inibindo-a totalmente.
26) Inconsciente - É possivelmente o conceito mais fundamental da teoria freudiana. Em seu trabalho Freud demonstrou que o conteúdo da mente não se reduz ao consciente, mas que pelo contrário a maior parte da vida psíquica se desenrola em nível inconsciente. Ali se encontram principalmente idéias (representações de impulsos) reprimidas, às quais é negado o acesso à consciência mas que têm grande influência na vida consciente. Estas idéias reprimidas aparecem de forma disfarçada nos sonhos e nos sintomas neuróticos principalmente e é através do seu conhecimento que podemos chegar até o conflito neurótico durante um processo terapêutico geralmente. O inconsciente é uma das entidades do 1º modelo da mente criado por Freud (ver aparelho psíquico).
27) Insight - Percepção pelo indivíduo dos significados, antes inconscientes, subjacentes e seus comportamentos e pensamentos. O Insight pode ser intelectual onde a compreensão do significado ocorre sem a vivência afetiva correspondente, ou emocional onde essa compreensão é acompanhada da descarga emocional.
 28) Libido - É a energia inerente aos movimentos e transformações dos impulsos sexuais. Ela é a contrapartida psíquica da excitação sexual somática. É uma palavra latina que significa desejo, vontade.
29) Masoquismo - É uma forma de perversão sexual na qual a satisfação é obtida através de sofrimento e humilhação do próprio indivíduo.
30) Metapsicologia - Termo criado por Freud para designar as formulações que fez para descrever os fenômenos mentais do ponto de vista dinâmico, tópico e econômico (ver aparelho psíquico).
31) Narcisismo - Perversão em que o indivíduo escolhe a si mesmo como objeto sexual.
32) Neurose - Em sua essência vai designar os distúrbios dos comportamentos, sentimentos ou idéias, que surgem como resultado de um conflito entre o id e o ego, onde uma tendência instintiva é reprimia pelo ego dando lugar á formação de sintomas neuróticos. Estes sintomas são percebidos pelo indivíduo como algo estranho e incompreensível dentro do quadro geral de sua personalidade. Podem consistir de alterações das funções corporais (cegueira histérica, por exemplo) onde não há nenhuma explicação fisiológica para o distúrbio; de emoções e ansiedades injustificadas como no caso de neurose obsessiva.
O que mais caracteriza a neurose em contraste com a psicose é a preservação do contato do indivíduo com a realidade. Mantém assim apesar das distorções causadas pelos sintomas uma boa margem de senso crítico e a capacidade de perceber sua própria doença.
33) Objeto - Na teoria psicanalítica significa aquilo através do que um impulso instintivo pode obter satisfação. Pode ser uma pessoa em sua totalidade ou parte dessa pessoa (como o seio para o bebê)., pode ser uma entidade ou um ideal. Os objetos podem ser reais ou imaginados.
 34) Paranóia - É uma psicose funcional (ver psicose) que se caracteriza pela presença de delírios mais ou menos sistematizados, que mantém certa lógica e coerência interna e sem que haja uma deterioração do intelecto.
35) Perversão - qualquer forma de conduta sexual adulta, na qual o prazer não seja obtido pela penetração genital com indivíduo do outro sexo.
36) Pre-Consciente - Refere-se aos pensamentos que não são conscientes num dado momento mas que podem chegar espontaneamente à consciência ou por evocação do próprio indivíduo. Diferem dos pensamentos inconscientes que por terem sido reprimidos não têm acesso à consciência a não ser em circunstâncias muito especiais.
Como substantivo refere-se a um sistema do aparelho psíquico, concebido por Freud (ver aparelho psíquico).
37) Projeção - Processo defensivo (ver defesa) no qual o indivíduo atribui a outro (pessoa ou coisa) sentimentos e desejos que seria penoso admitir como seus próprios.
38) Psicanálise - Disciplina criada por Freud que consiste em um método par investigação dos processos mentais, um método de tratamento das desordens psíquicas e um corpo e teorias que tenta sistematizar os dados introduzidos pelos métodos psicanalíticos mencionados acima.
A técnica psicanalítica de tratamento consiste basicamente em levar o paciente a associar livremente, isto é, exprimir indiscriminadamente todos os pensamentos que lhe ocorrem sem preocupação de dar-lhes sentido ou coerência; interpretar tanto as associações como os obstáculos que encontra ao associar ajudando assim o paciente a eliminar as resistências que o impedem de tomar contato com os conflitos inconscientes; e interpretar seus sentimentos e atitudes em relação ao analista, pois o paciente tende a repetir na relação terapêutica as modalidades de relacionamento que teve com seus progenitores durante a infância (ver transferência).
Em resumo, chamamos psicanálise o trabalho que ajuda o paciente a tornar conscientes suas experiências reprimidas, expondo assim suas motivações até então desconhecidas.
39) Psicose - Perturbação grave das funções psíquicas que se caracteriza principalmente pela perda de contato com a realidade, pela incapacidade de adaptação social, por perturbações da comunicação e ausência de consciência da doença. Para Freud a psicose é resultado do conflito entre o ego e o mundo exterior. Diante da frustração de fortes desejos infantis, o ego nega a realidade externa e procura construir através do delírio um mundo interno e externo de acordo com as tendências do id. A psiquiatria distingue duas classes de psicoses: as orgânicas onde uma enfermidade orgânica é encontrada como causa e as funcionais onde não há lesão orgânica demonstrável. Três formas de psicose funcional são reconhecidas: a esquizofrenia, a psicose maníaco-depressiva e a paranóia.
40) Psicose Maníaco Depressiva - Psicose em que se alternam períodos de mania (euforia, auto-confiança exagerada) e depressão, geralmente com períodos intermediários de normalidade.
41) Psicoterapia - Termo comumente usado para designar as formas de tratamento psicológico que se diferenciam da psicanálise, a qual é uma forma de terapia mais profunda, mais intensa e total que qualquer outra. A "psicoterapia de orientação psicanalítica" usa a teoria psicanalítica em combinação com outras técnicas. A psicoterapia pode ser individual ou em grupo, superficial ou profunda, de apoio ou sugestiva. Pode ter marcos referenciais teóricos os mais diversos, como vemos na gestalt, no psicodrama, na análise transacional etc. Considera-se que de modo geral seu trabalho é feito principalmente nos níveis mais conscientes da personalidade.
42) Racionalização - Processo defensivo (ver defesa) no qual o indivíduo procura justificar suas ações de forma coerente desconhecendo entretanto suas motivações inconscientes.
43) Regressão - Processo defensivo do qual o indivíduo, a fim de evitar a angústia, retorna a uma fase anterior do desenvolvimento, apresentando os padrões de comportamento daquela fase.
44) Repressão - Mecanismo de defesa do ego (ver defesa)., pelo qual as representações de impulsos que podem produzir angústia são mantidas recalcadas no inconsciente.
45) Sadismo - Perversão sexual, na qual o prazer erótico está vinculado ao sofrimento e humilhação que o indivíduo inflige a outro.
46) Sublimação - Processo pelo qual a energia dos instintos sexuais é deslocada para atividades ou realizações de valor social ou cultural, como as atividades artísticas ou intelectuais.
47) Superego - Uma das três instâncias da personalidade, que Freud concebeu em um dos modelos do aparelho psíquico (ver aparelho psíquico). O superego é formado a partir das identificações com os genitores, dos quais ele assimila as ordens e proibições. Assume então o papel de juiz e vigilante, formando uma espécie de auto-consciência moral Os mandatos do superego incluem muitos elementos inconscientes que derivam do passado do indivíduo e que podem entrar em conflito com seus valores atuais.
Com relação as outras instâncias, ele é o controlador por excelência dos impulsos do id e age como colaborador nas funções do ego, mas muitas vezes ele se torna extremamente severo anulando as possibilidades de satisfação instintiva e a capacidade de livre escolha do ego.
48) Transferência - É um processo pelo qual o indivíduo recapitula em suas relações atuais, especialmente com seu terapeuta, as relações que teve com seus genitores na infância. A transferência se dá geralmente com pessoas que representam alguma autoridade como no relacionamento professor-aluno, médico-paciente, patrão-empregado. Freud, a princípio encontrou na transferência um obstáculo para o tratamento, porém mais tarde utilizou-a como uma parte essencial do processo terapêutico.