quarta-feira, 28 de março de 2018

Escola Democrática




Pensando em escola democrática, se pensa muito na questão na docência e gestão escolar. O docente precisa ressignificar sua pratica para poder criar uma metodologia que instiga seus alunos, para que esses mesmos alunos se tornem produtores da sua própria aprendizagem.
Aprendizagem essa que muitas vezes acaba não sendo valorizada dentro da escola. Como aponta Freire que "um dos grandes pecados da escola é desconsiderar tudo com que a criança chega a ela. A escola decreta que antes dela não há nada” [1]
Essa fala do Freire é fundamental, pois não podemos jamais, como professores, esquecer a bagagem cultural do aluno. Cada sujeito aprende com suas experiências e traz para a sala de aula suas bagagens e o professor tem que ser o mediar dessa construção. Dentro da aprendizagem considera-se que o mais fundamental processo é a imitação, ou seja, a repetição de um comportamento ou atitude. É o mais fundamental por que se observa que essa é a primeira forma de aprender que as crianças desenvolvem. As crianças aprendem imitando seus pais e as pessoas mais próximas e levam isso para dentro da escola, depois passam a "imitar" o que está vendo na sala de aula... 
Por isso a interação é uma parte fundamental do processo de construção dessa aprendizagem. Que é uma das teorias defendidas por Vygotsky, onde ele defende que o  desenvolvimento cognitivo do aluno se dá por meio da interação social, ou seja, de sua interação com outros indivíduos e com o meio, como COELHO[2], sobre a teoria de Vygotsky:

A segunda refere-se à origem cultural das funções psíquicas que se originam nas relações do indivíduo e seu contexto social e cultural. Isso mostra que a cultura é parte constitutiva da natureza humana, pois o desenvolvimento mental humano não é passivo, nem tão pouco independente do desenvolvimento histórico e das formas sociais da vida. O desenvolvimento mental da criança é um processo continuo de aquisições, desenvolvimento intelectual e linguístico relacionado à fala interior e pensamento.

Devemos como professores, estar bem atendo as demandas de uma sala de aula multicultural, onde a diversidade se faz presente. Precisamos sair da caixa comum e dos rótulos e começar a ver nossos alunos pertencentes aquele lugar e portanto devem ser respeitados na sua diversidade, bem como nós na nossa diversidade. Freire afirma também que a escola tem uma função conservadora, refletora e reprodutora das desigualdades e injustiças sociais. Mas, que pode ser também um instrumento de resgate da cidadania. Sendo assim, o educador tem um forte papel político-pedagógico, já que não existe educação neutra. 


[1] (Folha de São Paulo, 31.03.97 -  Paulo Freire).
[2] http://facos.edu.br/publicacoes/revistas/e-ped/agosto_2012/pdf/vygotsky_-_sua_teoria_e_a_influencia_na_educacao.pdf
[3] (FREIRE, 2005, p.70)

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Reflexões!


O que mais me chamou a atenção no filme “Como estrelas na terra” (produção indiana de 2007, dirigida por Aamir Khan), foram os rótulos que o aluno Ishaan carregava e o quanto ele sofria por carregar esses rótulos.  E o quanto a escola tem papel fundamental na vida desses sujeitos. E o quanto o professor é o norteador de tudo, de um ensino de qualidade ou de um ensino engessado que só reproduz coisas e não constrói nada. O filme é emocionante, pois além da história do Ishaan, ele nos remete a nossas salas de aulas e nos faz parceber que muitas vezes temos muitos alunos assim como o Ishaan e não estamos olhando, só estamos vendo. O filme me fez refletir, sobre a educação, sobre o papel da escola e principalmente sobre meu papel de educadora e formadora e da importância do dialogo com meus alunos.

Fico pensando na minha responsabilidade de formar alunos pensantes e atuantes e ao mesmo tempo me sinto frustrada, porque são tantas coisas que nossos alunos da escola pública não tem acesso. Não tem nem um professor valorizado. Mas como a gente se sente responsável por esse saber, a gente tenta... A gente pesquisa (em casa, no dia de folga, no domingo de manhã), a gente leva material (que a gente mesmo produz), a gente compra material (com o nosso dinheiro mesmo), a gente planeja levar no museu (e leva e paga para aquele aluno que não tem), a gente planeja aula para falar sobre aquele livro que eles precisam ler, sobre aquela obra de arte que eles precisam ver, sobre aquelas músicas que eles precisam escutar... A gente fala muito sobre a sociedade, a gente trabalha sobre a diversidade, falamos sobre os sentimentos, sobre alimentação correta, sobre higiene... Professores também escutam muito... Escutam o aluno que está com problemas em casa, aconselha, chama família, aconselha família, escuta família, escuta até o vizinho (se servir para ajudar o aluno). A gente também escuta muito da sociedade, todo mundo adora falar sobre educação e sobre os professores, sem sequer terem pisado numa sala de aula, mas tudo bem... A gente segue fazendo nosso trabalho, a gente se sente responsável por cada aluno dentro das nossas salas de aula... E a gente tenta cotidianamente formar esse sujeito... E assim, penso eu, seguiremos. 

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Sobre aprendizagem!



"Um dos grandes pecados da escola é desconsiderar tudo com que a criança chega a ela. A escola decreta que antes dela não há nada” (Folha de São Paulo, 31.03.97 -  Paulo Freire).


Essa fala do Freire é fundamental, pois não podemos jamais, como professores, esquecer a bagagem cultural do aluno. Cada sujeito aprende com suas experiências e traz para a sala de aula suas bagagens e o professor tem que ser o mediar dessa construção. Dentro da aprendizagem considera-se que o mais fundamental processo é a imitação, ou seja, a repetição de um comportamento ou atitude. É o mais fundamental por que se observa que essa é a primeira forma de aprender que as crianças desenvolvem. As crianças aprendem imitando seus pais e as pessoas mais próximas e levam isso para dentro da escola, depois passam a "imitar" o que está vendo na sala de aula... 

Por isso a interação é uma parte fundamental do processo de construção dessa aprendizagem. Que é uma das teorias defendidas por Vygotsky, onde ele defende que o  desenvolvimento cognitivo do aluno se dá por meio da interação social, ou seja, de sua interação com outros indivíduos e com o meio.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Morin!

Os setes saberes necessários à educação do futuro, do Morin, aborda no capítulo 1 a questão do erro da ilusão. Morin aponta que a educação, deverá enfrentar a face do erro e da ilusão, ou seja, que devemos aprender a lidar com os erros e devemos estar com o olhar atento para vermos esses erros e usá-los na construção do sujeito que está na nossa sala de aula! Devemos estar atento a esses erros para que possamos deixar a ilusão de lado para que possamos explorar as possibilidades! Como diz Morin, o dever principal da educação é preparar cada um para enfrentar os não saberes com lucidez. Portanto, além de estarmos atento ao erro, precisamos preparar nossos alunos para enfrentar esse erro e para se ressignificarem a construção que leva ao conhecimento.
E já que estamos escrevendo sobre Morin, deixo um vídeo maravilhoso, de uma palestra desse grande pensador, que fala sobre  o futuro da humanidade:


Que tem muito haver com a questão do erro e em como encaremos esse erro, fala em modernização e sobre a nossa globalização.  E se refletirmos sobre, percebemos que está tudo interligado.


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Inclusão!


Ao falar sobre inclusão e pensar no aluno X, percebo o quanto meu papel como professora é fundamental nesse processo, tendo em vista que nem a família do aluno contribui no seu processo de desenvolvimento e não é por não aceitação do que o aluno apresenta e sim por descaso. Por isso meu papel em sala de aula é importante para essa construção do aluno. Tanto para que haja socialização do aluno com a turma e da turma com o aluno, para que além de ter conteúdo, o aluno possa se ver pertencente aquele espaço, sem placas e rótulos, que disso a sociedade se encarrega de colocar. Dentro desse espaço chamado sala de aula o aluno precisa se sentir livre para ser quem é e que diante disso possa ser oportunizado situações que favoreçam o desenvolvimento do mesmo, pois inclusão não é só saber respeitar o diferente. Por isso é importante o professor contar com uma rede de apoio dentro do espaço escolar, tanto da equipe pedagógica quanto do professor da sala de recurso e criar parcerias, para atingir o objetivo maior.

Meus objetivos para o “aluno X” é:
  • Planejar ações para atender às necessidades do aluno, oportunizando o estabelecimento de relações com os seus pares.

  • Oportunizar atividades para despertar o interesse e a participação efetiva nas atividades escolares, a fim de que o “aluno X” tenha acesso aos saberes e alcance pleno desenvolvimento de suas potencialidades.

  • Fazer observações diárias do aluno em sala de aula, para criação de estratégias para a socialização do mesmo.

  • Propor atividades lúdicas e do interesse do aluno, para despertar o foco do aluno na realização das atividades e para que o aluno X queira ficar em sala de aula.

  • Montar um ambiente alfabetizador, que facilite a interação do “aluno X” com a Leitura.


Para que eu consiga atingir todos os objetivos para que o aluno tenha sucesso na sua aprendizagem, preciso contar com esse apoio. Lembrando que a participação da família é fundamental, porém nesse caso a família do aluno está sendo negligente. Infelizmente esse processo ainda é longo, mas como acreditamos no potencial da educação, teremos sucesso. E assim se espera que todos os alunos de inclusão tenham e principalmente, que tenham professores interessados e motivados.


segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Testagem Método Clinico

Na interdisciplina de Desenvolvimento e Aprendizagem sob o enfoque da Psicologia II, uma das atividades era a realização da testagem do método clinico com um aluno. Fiquei bem confusa na realização da atividade, mesmo lendo o material teórico. Percebi o quanto é difícil deixar a criança só responder sem fazer intervenções. Precisamos abrir mão do nosso lado professora, para sermos só pesquisadores.


O método clinico é muito importante, pois apresenta-se quase como uma investigação do pensamento da criança, por isso é importante deixar a criança responder livremente, sem interferências. A professora disse que se leva dois anos, até termos uma testagem boa, portanto estou iniciando nesse processo de professora-pesquisadora.





domingo, 17 de dezembro de 2017

Sobre o resultado da pesquisa e alguns apontamentos!

Pesquisa sobre diversidade no Google Docs:


Até agora, responderam a pesquisa 37 pessoas responderam a pesquisa, dessas 43,2% tem mais de 40 anos, 37.8% tem entre 30 e 40 anos e 18.9% tem entre 20  e 30 anos. Em relação ao preconceito racial 36.1% pensa que existe e é discutido, 38.9% pensa que ele existe, porém não é declarado e 25% pensa que existe e é ignorado. Já sobre a homofobia, 35.1% pensa que existe, porém é ignorada,  32.4% pensa que existe e é discutido sobre, 29.7% pensa que ela existe, mas não é declarada e dessas uma pessoa acrescentou que além da homofobia existir, ela é fortemente acobertada pela mídia. Dessas pessoas que responderam a pesquisa, 66.3% já sofreu preconceito e apenas 23.7% não sofreram. Dessas pessoas 94.7% já presenciaram uma atitude preconceituosa. A maioria das pessoas que responderam a pesquisa trabalha com educação, sendo professores e gestores de escola, dessas pessoas 76.3% trabalha sobre o preconceito racial em sala de aula e 23.7% não trabalha sobre preconceito racial. Esses dados apontam para a pesquisa da SILVEIRA da Universidade Federal da Bahia, onde a autora diz que:

Assim, a sociedade, especificamente a escola, constrói várias respostas para explicar as desigualdades, e acaba desconsiderando que uma das principais justificativas pode ser encontrada no seu interior: nas práticas pedagógicas, as vezes, discriminativas, que acabam impactando a vida dos alunos, afetando o desempenho escolar e o seu futuro, já que o insucesso na escola pode contribuir para sua “exclusão” social na vida adulta.

Percebe-se que no espaço escolar, é onde acontece muito racismo e homofobia e mesmo assim, não são temas trabalhados em sala de aula. Mesmo com a LBDEN, os parâmetros curriculares e o PEE, que garantem o trabalho sobre diversidade, poucos são os que fazem. Acredito que por pouca informação ou formação. O artigo 3º da LDBEN, inciso XII faz consideração com a diversidade étnico-racial. Já no PEE do nosso estado, tem como estratégia da meta 2:

Manter e ampliar, a partir da aprovação do Plano, programas e ações de correção de fluxo do Ensino Médio, por meio do acompanhamento individualizado/a do estudante com rendimento escolar defasado e pela adoção de práticas como apoio pedagógico, estudos de recuperação e progressão parcial, de forma a reposicioná-lo/a no ciclo escolar de maneira compatível com sua idade; respeitando a orientação sexual, a identidade de gênero e os direitos humanos;

Ao perguntar, na pesquisa sobre diversidade, de que forma as colegas trabalham sobre o preoceito racial em sala de aula, me responderam que, trabalham o tema através de propostas lúdicas e interessantes para as crianças, usando bricadeiras e literatura infantil, trazendo fatos históricos para enriquecer o trabalho, oportunizando debates e projetos, contando com uma rede de apoio como a galera curtição, trabalhando a auto-estima das crianças e conscientizando sobre a importância do respeito a diversidade.
Já sobre a homofobia, apenas 50% dos entrevistados trabalham em sala de aula sobre o tema. O que me leva a perceber que a homofobia é mais ignorada. Talvez isso venha do fato do nosso país estar sofrendo retrocessos na educação. Ou por falta de formação e capacitação adequada. Muitas vezes também, o preconceito vem do próprio professor.
A pesquisadora da UNESCO (Castro, 2005), aponta que:

Há que se estimular os professores [e professoras] para estarem alertas, para o exercício de uma educação por cidadanias e diversidade em cada contato, na sala de aula ou fora dela, em uma brigada vigilante anti-racista, anti-sexista, [antihomofóbica] e de respeito aos direitos das crianças e jovens, tanto em ser, como em vir a ser; não permitindo a reprodução de piadas que estigmatizam, tratamento pejorativo.

Dessas pessoas que trabalham com o tema homofobia em sala de aula, trabalham o tema em forma de projetos, com filmes, debates, fazendo intervenções diárias e fazendo apontamentos sobre o preconceito. Sobre onde o preconceito deve ser tratado, 73.7% pensa que deve ser tratado pedagogicamente na escola, outros pensam que deve ser tratados pelos grupos militantes, já outras pessoas pensam que deve ser tratado por quem sofre o preconceito e outros pensam que deve ser tratado em outras situações.Apontaram que o tema deve ser trabalhado em casa, no trabalho, na família e na sociedade, que não pode haver conflitos entre a escola e a família, que todos devem ter a mesma linha, para oportunizar a reflexão acerca do tema. E sobre o professor 97.4% pensam que o professor deve reavaliar a sua prática, refletindo valores e conceitos, repensando suas ações cotidianas e trabalhando projetos sobre diversidade em sala de aula, procurando investir em formações adequadas sobre o tema. Já o restante pensa que o professor deve ser neutro sobre questões sociais. O que não vai de encontro com o pensamento de Freire sobre a neutralidade do professor, lembrando da importância da debate sobre diversidade em sala de aula. Como coloca Como coloca (FREIRE, 2015, p. 39):  

A tarefa coerente do educador que pensa certo é, exercendo como ser humano a irrecusável prática de inteligir, desafiar o educando com quem se comunica, a quem comunica, a produzir sua compreensão do que vem sendo comunicado. Não há inteligibilidade que não seja comunicação e intercomunicação e que não se funde a dialogicidade. O pensar certo, por isso, é dialógico e não polêmico.

Devemos como professores, estar bem atendo as demandas de uma sala de aula multicultural, onde a diversidade se faz presente. Precisamos sair da caixa comum e dos rótulos e começar a ver nossos alunos pertencentes aquele lugar e portanto devem ser respeitados na sua diversidade, bem como nós na nossa diversidade. Freire afirma também que a escola tem uma função conservadora, refletora e reprodutora das desigualdades e injustiças sociais. Mas, que pode ser também um instrumento de resgate da cidadania. Sendo assim, o educador tem um forte papel político-pedagógico, já que não existe educação neutra. E além de não sermos neutros, precisamos dar voz  aos que estão sendo oprimidos pela sociedade que insiste em fingir que não há preconceito, ou não debater sobre, ou tentar mascará-lo. Como nos traz (FREIRE, 2005, p.70):

Na verdade, porém, os chamados marginalizados, que são os oprimidos, jamais estiveram ‘fora de’. Sempre estiveram ‘dentro de’. Dentro da estrutura que os transforma em ‘seres para outro’. Sua solução, pois não está em ‘integrar-se’, em ‘incorporar-se’ a esta estrutura que os oprime, mas em transformá-la para que possam fazer-se ‘seres para si’.

A pesquisa finaliza com 82.1% das pessoas entrevistadas respondendo que as situações de desigualdade e discriminação presentes na sociedade são instrumentos para conscientização dos alunos quanto à luta contra todas as formas de injustiças sociais e o restante das pessoas pensa que são pontos de reflexão para todos, inclusive para o professor que está ai, podendo servir como exemplo para os sujeitos do espaço escolar.




Referências Bibliograficas
1)     CASTRO, M. G. Gênero e Raça: desafios à escola. In: SANTANA, M. O (org). Lei 10.639/03 – educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afrobrasileira e africana no fundamental. Salvador: Prefeitura Municipal de Salvador, 2005.
2)    FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.
3)    _____, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 50. Ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2015.

4)    RÉGNIER, Jean-Claude; ROSA, Dora Leal; SILVEIRA, Andréia Cardoso; TENÓRIO, Robinson Moreira. Preconceito racial e desempenho escolar: estudo com negros e brancos em escolas de Salvador (Ba). Disponível em: http://www.equidade.faced.ufba.br/sites/equidade.oe.faced.ufba.br/files/preconceito_racial_e_desempenho_escolar_estudo_com_negros_e_brancos_em_escolas_de_salvador_ba_0.pdf. Acesso em: 17 de dezembro de 2017.