segunda-feira, 28 de maio de 2018

Sobre planejamento




É fundamental que antes de iniciarmos um projeto novo em sala de aula tenhamos um bom planejamento para a turma. Mas antes de sairmos planejando é necessário conhecermos a turma, seus contextos, suas histórias, suas experiências e suas dificuldades, somente após esse conhecimento prévio da turma que devemos começar o planejamento.

Para um bom planejamento além de ter o conhecimento da turma, é necessário alguns pontos.

·         Descrição especifica de tudo que queremos trabalhar em sala de aula
·         Os objetivos a serem alcançados
·         Os conteúdos que serão abordados
·         Os procedimentos utilizados para que a aprendizagem seja construída.
·         Os detalhamentos de recursos que serão necessários para alcançar os objetivos.
·         E a avaliação, que é outro ponto fundamental para um bom planejamento.

Sem esse planejamento a aprendizagem perde o sentido, por isso um plano de aula deve conter de maneira resumida, as decisões pedagógicas do professor a respeito do que é ensinar, de como ensinar e de como avaliar o que ensinou. Lembrando que nem sempre seguimos a risca o planejamento, mas ele nos dá um norte para oportunizar a construção de conhecimento, por isso se faz tão necessário o professor conhecer tão bem sua turma, na medida em que o planejamento tiver que ser refeito, o conhecimento da turma se faz presente.


terça-feira, 15 de maio de 2018

Sobre Vygotsky!



Como se escreve? Vigotski, Vygotski, Vigotsky ou Vygotsky?
O nome de  Vygotsky,  Lev Semyonovich Vygotsky,  tem sido grafado de diferentes formas na literatura científica ocidental, por tratar-se de outro alfabeto.  Em Russo, o nome dele é Лев Семёнович Выго́тский.
O uso da grafia Vigotski  é encontrado na maioria dos livros de língua portuguesa.
Vygotsky,  é encontrado em muitos livros de língua inglesa.   No Brasil, com a entrada da letra Y na última reforma ortográfica, muitos cientistas optam por espelhar as traduções norte-americanas.

Quem foi Vygotsky?




Vygotsky trabalhava muito com o conceito de zona proximal, desenvolvimento real e desenvolvimento potencial, que é a aprendizagem do sujeito com a ajuda de outro, ou seja, refere-se sobre a capacidade do sujeito efetuar alguma atividade de forma independente e sobre a capacidade de realizar com a orientação de outra pessoa. Com esse conceito de Vygotsky, o professor deixa de ser a única fonte de saber da sala de aula e passa a ser um mediador também, na interação dos seus alunos entre si. Essa teoria de Vygotsky tem sido adotada por muitos professores e é aplicada com êxito na educação, principalmente pela questão sociocultural que combina com fatores contextuais no aprendizado. Não podemos esquecer que Vygotsky era um pensador marxista, podemos perceber claramente essa teoria na questão da mediação.



quarta-feira, 9 de maio de 2018

Sobre leitura





     Aluna do 3º ano lendo um poema, do livro de poesia que estava no varal da leitura 


Referências:

VYGOTSKY, Lev S. A Formação Social da Mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 3 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1994.

VYGOTSKY, Lev S. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2000.


quinta-feira, 19 de abril de 2018

Empowerment




Ao ler o texto do Giroux[1], percebemos que a alfabetização está muito ligada ao  empowerment político, que é aquele neologismo criado por Freire, que enfatiza o ato ou efeito de promover a conscientização e tomada de poder de uma pessoa ou grupo social, o chamado empoderamento que deriva desse termo inglês.
E a alfabetização é isso, é um empoderamente de uma classe a muito dominada pela classe dominante, sendo a educação um ato político. Assim como afirma Gramsci, que encarou a alfabetização como uma prática social. E ela é, pois através da alfabetização, os sujeitos se tornam sujeitos letrados e isso faz com que as pessoas possam participam da compreensão e da transformação da sua sociedade, como nos traz Giroux.

Definir alfabetização no sentido freiriano, como leitura do mundo e da palavra, é analisar a produção do conhecimento e da construção das subjetividades de alunos e professores em seus próprios mundos. A ideia de que o conhecimento não se pode construir fora do embate pedagógico perde-se no pressuposto errôneo, quando da noção da teoria crítica da educação ou é subteorizada ou esquecida, uma vez que os alunos dão mais importância às próprias vidas e experiências.
E no exemplo de professora que oferece aos alunos textos feministas, temos a natureza da correção política e ideológica de sua posição, assumindo um discurso autoritário e negando o questionamento e investigação do sexismo – calando as vozes dos alunos. Deveria sobre o aspecto individual e social, introduzir a linguagem do empowerment e da ética radical levando-os a pensar sobre a vida em comunidade – projeto do possível. E cabe ao professor criar condições de identificação e a problematização das maneiras contraditórias e múltiplas que os alunos veem o mundo; os educadores críticos devem apresentar capacidade tanto para ensinar quanto para aprender com outros; além das vozes do professor, da escola e do aluno devem caminhar juntas estabelecendo base para o desenvolvimento de alianças e projetos que geram dialogo e lutas proporcionando que suas posições sejam ouvidas fora das salas de aula e na comunidade mais ampla.



A alfabetização é um veiculo ideológico, principalmente para os sujeitos marginalizados da nossa sociedade. A alfabetização dá voz a um povo calado! 

terça-feira, 17 de abril de 2018

Que escola temos? Que escola queremos?




Julia Varela e Alvarez-Uria no texto “A Maquinaria Escolar”, capítulo inicial do livro “Arqueologia da Escola”, ao fazer um estudo arqueológico do surgimento da escola enquanto instituição, que coloca um contingente de indivíduos ocupando um mesmo ambiente, e ao mesmo tempo compartimentando-os/as em salas de aula com diferentes níveis, distribuindo saberes por idades, privando a troca de conhecimento entre os sujeitos. Discutem este espaço como sendo fruto de uma construção sócio-histórico-cultural, legitimadoras das relações de poder, atuando como uma engendrada “maquinaria escolar”.
Existe uma grande divergência histórica entre a escola ideal e a escola para os pobres, apresentando vários desafios vivenciados pelos professores, pois cada situação é peculiar e exige uma resposta, um posicionamento do professor, que atua diretamente com alunos e pais e conhece de verdade a realidade dessas pessoas. Não podemos querer ter uma escola democrática, sem chegar nesse sujeito e fazer ele se sentir pertencente aquele espaço.
A educação é uma luta, uma luta política e de dominação, muitas vezes as classes dominantes tendem disfarcadamente impor essa dominação na classe trabalhadora e tendem a dominar eles desde a infância, através da escola, que antigamente tinha como objetivo só formar trabalhadores, atualmente nessa escola democrática, tentamos formar e construir um sujeito pensante e critico, para atuar na sociedade, da forma que quiser, sem oprimir nenhuma classe. A educação sempre foi um direito de todos, mas de que forma?

Os alunos ainda estão enfileirados, não trocando muitas experiências, muitas vezes sendo copistas de conteúdo sem nem saber o que se trata, recebendo um currículo imposto, de uma gestão que não tem autonomia dentro da sua própria escola, pois precisa seguir as demandas de algo superior. A escola continua sendo conteudista e quer enquadrar os alunos em caixas. Não se pratica mais castigos físicos, mas se pratica “rótulos” em alunos que não se enquadram no que a escola deseja. Mesmo a sociedade estando além dos problemas urbanas trazidos pela década de 20 e sendo uma sociedade multicultural, a escola ainda permanece muito parecida com que era no passado. A própria palavra do texto “maquinaria” se refere a maquinas que remete a produção em série.  Ou seja, alunos que tem o mesmo padrão, evoluem na escola, alunos diferentes são rotulados e permanecem repetindo e repetindo. A escola trata todos como se todos fossem iguais.
Qual dos dois modelos incomoda mais? Que versão combatemos como professores?  Estamos tentando de fato mudar nossa escola?



Referência: VARELA, Julia et al. A Maquinaria Escolar. Teoria & Educação, São Paulo, n. 6, p.68-96, 1992. Disponível em: <https://pt.scribd.com/doc/70553618/Julia-Varela-e-Fernando-Alvarez-Uria-Maquinaria-Escolar-1>. Acesso em: 16 abr. 2018. 

terça-feira, 10 de abril de 2018

O que queremos dos nossos alunos?





A nossa responsabilidade como professores de formar alunos sujeitos críticos e atuantes para viverem em sociedade é grande demais, pois podemos tornar esses alunos sujeitos autônomos ou sujeitos reprodutores. Muitas vezes, nossas escolas empiristas, com o currículo engessado não permite ao aluno construir seu aprendizagem e nem oportuniza a autonomia, e isso faz com que eles se tornem copistas.

A escola é o primeiro contato que esses alunos têm com a sociedade e muitas vezes saem dali repetindo os mesmos padrões vistos ali.
Se quisermos alunos capazes de mudar o mundo, a sociedade, precisamos oportunizar isso na escola. Criando um espaço democrático, criativo e de construção da autonomia desses alunos.

Pensando em escolas com visões mais democráticas e em professores que também são democráticos, a educação de qualidade pode deixar de ser um ideal e se tornar uma prática realmente efetiva. Tornar a aprendizagem significante é fundamental.
Escola democrática é uma vertente da pedagogia libertária, que defende um educar para a liberdade e tem como Freinet um dos seus defensores e a escola da Ponte em Portugal como escola referencia.

Como afirma Tosto (2011, p. 3):

Nesse modelo de escola, os alunos são incentivados a buscar o conhecimento a partir do seu próprio interesse, iniciativa, ritmo e também são responsáveis pelo desenvolvimento intelectual, sem cobranças autoritárias de qualquer entidades superiores de ensino. Os conteúdos que devem ser aprendidos costumam estar muito próximos da estrutura cognitiva dos alunos, assim como dos seus interesses e expectativas de conhecimento.


Essa escola democrática ainda não é nossa realidade, porém acredito que estamos no caminho para a mudança, acreditamos que o dialogo se faz necessário e que precisamos deixar de lado todo esse gesso do ensino, afinal através da educação podemos fazer muitas coisas, inclusive mudar a sociedade.


Para isso precisamos refletir nossa pratica e ressignficar ela. Repetindo os mesmos padrões de uma pedagogia diretiva, não vamos construir nada, só copiar o que já existe.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Escola Democrática




Pensando em escola democrática, se pensa muito na questão na docência e gestão escolar. O docente precisa ressignificar sua pratica para poder criar uma metodologia que instiga seus alunos, para que esses mesmos alunos se tornem produtores da sua própria aprendizagem.
Aprendizagem essa que muitas vezes acaba não sendo valorizada dentro da escola. Como aponta Freire que "um dos grandes pecados da escola é desconsiderar tudo com que a criança chega a ela. A escola decreta que antes dela não há nada” [1]
Essa fala do Freire é fundamental, pois não podemos jamais, como professores, esquecer a bagagem cultural do aluno. Cada sujeito aprende com suas experiências e traz para a sala de aula suas bagagens e o professor tem que ser o mediar dessa construção. Dentro da aprendizagem considera-se que o mais fundamental processo é a imitação, ou seja, a repetição de um comportamento ou atitude. É o mais fundamental por que se observa que essa é a primeira forma de aprender que as crianças desenvolvem. As crianças aprendem imitando seus pais e as pessoas mais próximas e levam isso para dentro da escola, depois passam a "imitar" o que está vendo na sala de aula... 
Por isso a interação é uma parte fundamental do processo de construção dessa aprendizagem. Que é uma das teorias defendidas por Vygotsky, onde ele defende que o  desenvolvimento cognitivo do aluno se dá por meio da interação social, ou seja, de sua interação com outros indivíduos e com o meio, como COELHO[2], sobre a teoria de Vygotsky:

A segunda refere-se à origem cultural das funções psíquicas que se originam nas relações do indivíduo e seu contexto social e cultural. Isso mostra que a cultura é parte constitutiva da natureza humana, pois o desenvolvimento mental humano não é passivo, nem tão pouco independente do desenvolvimento histórico e das formas sociais da vida. O desenvolvimento mental da criança é um processo continuo de aquisições, desenvolvimento intelectual e linguístico relacionado à fala interior e pensamento.

Devemos como professores, estar bem atendo as demandas de uma sala de aula multicultural, onde a diversidade se faz presente. Precisamos sair da caixa comum e dos rótulos e começar a ver nossos alunos pertencentes aquele lugar e portanto devem ser respeitados na sua diversidade, bem como nós na nossa diversidade. Freire afirma também que a escola tem uma função conservadora, refletora e reprodutora das desigualdades e injustiças sociais. Mas, que pode ser também um instrumento de resgate da cidadania. Sendo assim, o educador tem um forte papel político-pedagógico, já que não existe educação neutra. 


[1] (Folha de São Paulo, 31.03.97 -  Paulo Freire).
[2] http://facos.edu.br/publicacoes/revistas/e-ped/agosto_2012/pdf/vygotsky_-_sua_teoria_e_a_influencia_na_educacao.pdf
[3] (FREIRE, 2005, p.70)