segunda-feira, 18 de junho de 2018

Continuamos a falar sobre EJA


É muito importante que o que se trabalha na Eja seja de acordo com a realidade do aluno que está ali naquele ambiente escolar. Precisa-se oportunizar conteúdos que estejam dentro desse contexto.
Esses alunos costumam ser adultos trabalhadores que não tiveram a oportunidade de estudar na serie regular e adolescentes que muitas vezes são encaminhados pra EJA, pois estavam dando algum tipo de trabalho no turno regular. No geral são pessoas que lutam pra melhorar suas condições, pra se empoderar nesse mundo letrado. A linguagem e o pensamentos do aluno da Eja , que faz parte de uma especificidade cultural, trazem consigo uma história mais longa, como aponta o texto, atrelados a fatores culturais, eles possuem diferentes habilidades e diferentes dificuldades, possuem uma linguagem particular, muito baseada no contexto em que vivem e que devem ser conhecidos por aqueles que nela estão envolvidos.
Acredito que a maior dificuldade do aluno da EJA é lidar com o tempo, trabalhar o dia inteiro e ir pra escola a noite não é algo fácil, por mais atrelado a rotina que esteja, o corpo está cansado e consequentemente o cérebro não está tão atendo. Tirando isso, as dificuldades diferentes desses alunos, também é algo que dificulta o processo. Como aponta o texto: dificuldade de operação com categorias abstratas, dificuldade de utilização de estratégias de planejamento e controle da própria atividade cognitiva, bem como pouca utilização de procedimentos metacognitivos (Oliveira, 1995).
A escola faz parte da sociedade multicultural de hoje, existe uma diversidade no seu espaço escolar, que não provoca mudanças no geral. Como aponta o texto,  a escola voltada à educação de jovens e adultos, portanto, é ao mesmo tempo um local de confronto de culturas (cujo maior efeito é, muitas vezes, uma espécie de “domesticação” dos membros dos grupos pouco ou não escolarizados, no sentido de conformá-los a um padrão dominante de funcionamento intelectual) e, como qualquer situação de interação social, um local de encontro de singularidades.
Penso que os elementos mais importantes é oportunizar um planejamento que seja baseado no contexto cultural desses alunos, promovendo suas habilidades e resgatando suas dificuldades, onde possa acontecer momentos de reflexão sobre as diversidades presentes na sala de aula, daquele contexto ali. E principalmente que possa haver interação da turma, dos colegas entre si, do professor com o aluno, do aluno com o professor. É uma troca de experiências.

domingo, 10 de junho de 2018

Desafios da Educação de Jovens e Adultos




Um dos grandes desafios encontrados pelos educadores da EJA é a evasão, tendo em vista que a clientela dessa modalidade geralmente trabalha durante o dia e isso acaba atrapalhando sua rotina escolar, pois muitas vezes estão cansados e isso é um fator que favorece a evasão.
Outro favor enfrentado pelos professores e escolas é a dificuldades que esses alunos apresentam, poucos como aponta Hara, aprendem com competência.
Existe outros fatores também, de nível social, muitos alunos dessa modelidade são marginalizados pela sociedade, muitos não são alfabetizados e pouquíssimos são letrados. A maioria é muito pobre, apresentando muitas dificuldades cognitivas que não tiveram acesso a escola no tempo de escolarização. E isso gera esse pré-conceito na vida em sociedade. Sabemos que a língua, sua leitura e escrita tem poder, logo esses alunos não são empoderados no seu ambiente social.
O desafio enfrentado pelo professor da EJA é enorme, não basta só alfabetizar, é preciso alfabetizar com competência e motivar esses alunos para a aprendizagem, porém como aponta Hara, isso é pouco encontrado. Sabemos o quanto nossa sociedade é elitizada, sendo assim a educação com competências não ocorre para todos da mesma forma.

Finalizo esse relato com um poema da Conceição Evaristo, pois me remete muito a esses desafios.

Do fogo que em mim arde

Sim, eu trago o fogo,
o outro,
não aquele que te apraz.
Ele queima sim,
é chama voraz
que derrete o bivo de teu pincel
incendiando até ás cinzas
O desejo-desenho que fazes de mim.


Sim, eu trago o fogo,
o outro,
aquele que me faz,
e que molda a dura pena
de minha escrita.
é este o fogo,
o meu, o que me arde
e cunha a minha face
na letra desenho
do auto-retrato meu.

Conceição Evaristo, no livro “Poemas da recordação e outros movimentos”. 

Belo Horizonte: Nandyala, 2008.




sábado, 9 de junho de 2018

Inovação Pedagógia




Inovação pedagógica é quando acontece uma ressignificação do papel do professor e da escola, quando usamos recursos que vão além do quadro e do livro, quando usamos outros espaços que vão além da sala de aula, quando planejamos pensando na diversidade e no contexto dos nossos alunos e não fazendo uso do currículo engessado. Quando colocamos em andamentos projetos transformadores, que valorizam o saber dos alunos e fazendo valer para além da sala de aula e que o auxiliem na vida em sociedade, que inclua todos os alunos, não visando à diferença, mas sim valorizando a diversidade, num espaço democrático de ensino, com uma gestão participativa, onde toda a comunidade escolar participe de fato, fazendo uso das ferramentas digitais para uma maior aproximação. Inovação pedagógica é quando fazemos uso da informática em sala de aula, para tornar a sala de aula um ambiente lúdico e prazeroso para os alunos, utilizando o computador em sala de aula para  oportunizar ainda mais o letramento desses alunos.
Conforme Mello (2004, p. 172), Por ser um instrumento tão diversificado, pode-se tê-lo como um recurso na nossa prática pedagógica, estimulando o desenvolvimento da criança em todas as áreas do conhecimento. A criança se apropria de tal forma do computador que este faz parte de sua vida, como mais uma maneira de adquirir conhecimento.
Vivemos numa sociedade tecnologia e não podemos distanciar nossa sala de aula dessa realidade, devemos nos aproximar mais ainda da tecnologia, buscando enriquecer ainda mais o processo de aprendizagem dos nossos alunos.






MELLO, Maria Cristina de; RIBEIRO, Amélia Escotto do Amaral (org). Letramento: significados e tendências. Rio de Janeiro: Wak, 2004.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Sobre livros de imagens

Livro escolhido pela turma para o projeto 



Após a atividade da interdisciplina “Didática, planejamento e avaliação”,  onde tínhamos que montar um projeto usando um livro de literatura infantil e meus alunos escolheram um livro de imagem, ressignifiquei meu olhar sobre os livros de imagens.
Trabalhar com livros de imagens é despertar o interessa da leitura no aluno, de forma rica e lúdica, pois a imagem tem um grande poder em nós, ainda mais nas crianças. Livros de imagens são como se fossem filmes em páginas, cada cena é vista ao folhear o livro, a história se dá através dos desenhos e cores e do imaginário da criança.
Além de favorecer o imaginário das crianças, livros de imagens servem para boas reflexões de forma leve, pois ao observar e interpretar a imagens, despertamos em nós sensações e sentimentos. 
Trabalhar com livros de imagens em sala de aula, além de favorer de forma lúdica a leitura e o imaginário, desenvolve a oralidade e principalmente o letramento.




Lembrando que a medição da leitura é fundamental com os livros de imagens, o mediador (professor ou quem for ler), precisa instigar a curiosidade da criança, despertar o interesse dela em interpretar aquelas imagens. Para Cruz e Pase (2012, p.115) “cabe aos mediadores de leitura fazerem com que o texto a ser lido proporcione momentos de prazer, de reflexão, de análise interpretativa e compreensiva como também de criticidade.”
Estimular nos alunos um processo de leitura permanente para estar continuamente atualizados frente aos desafios e perspectivas do mundo contemporâneo, ajudando-os a se tornarem sujeitos leitores e escritores.

Aluna fazendo releitura de uma imagem do livro



CRUZ, M. C. A. V. da; PASE, B. M. A importância da intertextualidade e dos gêneros literários para a mediação da leitura. In: NEVES, I. C. B.; MORO, E. L. da S.; ESTABEL, L. B. (Orgs.). Mediadores de leitura na bibliodiversidade. Porto Alegre: Evangraf/SEAD/UFRGS, 2012, p.115-138. Disponível em: . http://www.ufrgs.br/sead/servicos-ead/publicacoes-1/pdf/MEDIADORES_Leitura_na_Bibliodiversidade.pdf Acesso em: 07 de junho de 2018.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Sobre planejamento




É fundamental que antes de iniciarmos um projeto novo em sala de aula tenhamos um bom planejamento para a turma. Mas antes de sairmos planejando é necessário conhecermos a turma, seus contextos, suas histórias, suas experiências e suas dificuldades, somente após esse conhecimento prévio da turma que devemos começar o planejamento.

Para um bom planejamento além de ter o conhecimento da turma, é necessário alguns pontos.

·         Descrição especifica de tudo que queremos trabalhar em sala de aula
·         Os objetivos a serem alcançados
·         Os conteúdos que serão abordados
·         Os procedimentos utilizados para que a aprendizagem seja construída.
·         Os detalhamentos de recursos que serão necessários para alcançar os objetivos.
·         E a avaliação, que é outro ponto fundamental para um bom planejamento.

Sem esse planejamento a aprendizagem perde o sentido, por isso um plano de aula deve conter de maneira resumida, as decisões pedagógicas do professor a respeito do que é ensinar, de como ensinar e de como avaliar o que ensinou. Lembrando que nem sempre seguimos a risca o planejamento, mas ele nos dá um norte para oportunizar a construção de conhecimento, por isso se faz tão necessário o professor conhecer tão bem sua turma, na medida em que o planejamento tiver que ser refeito, o conhecimento da turma se faz presente.


terça-feira, 15 de maio de 2018

Sobre Vygotsky!



Como se escreve? Vigotski, Vygotski, Vigotsky ou Vygotsky?
O nome de  Vygotsky,  Lev Semyonovich Vygotsky,  tem sido grafado de diferentes formas na literatura científica ocidental, por tratar-se de outro alfabeto.  Em Russo, o nome dele é Лев Семёнович Выго́тский.
O uso da grafia Vigotski  é encontrado na maioria dos livros de língua portuguesa.
Vygotsky,  é encontrado em muitos livros de língua inglesa.   No Brasil, com a entrada da letra Y na última reforma ortográfica, muitos cientistas optam por espelhar as traduções norte-americanas.

Quem foi Vygotsky?




Vygotsky trabalhava muito com o conceito de zona proximal, desenvolvimento real e desenvolvimento potencial, que é a aprendizagem do sujeito com a ajuda de outro, ou seja, refere-se sobre a capacidade do sujeito efetuar alguma atividade de forma independente e sobre a capacidade de realizar com a orientação de outra pessoa. Com esse conceito de Vygotsky, o professor deixa de ser a única fonte de saber da sala de aula e passa a ser um mediador também, na interação dos seus alunos entre si. Essa teoria de Vygotsky tem sido adotada por muitos professores e é aplicada com êxito na educação, principalmente pela questão sociocultural que combina com fatores contextuais no aprendizado. Não podemos esquecer que Vygotsky era um pensador marxista, podemos perceber claramente essa teoria na questão da mediação.



quarta-feira, 9 de maio de 2018

Sobre leitura





     Aluna do 3º ano lendo um poema, do livro de poesia que estava no varal da leitura 


Referências:

VYGOTSKY, Lev S. A Formação Social da Mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 3 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1994.

VYGOTSKY, Lev S. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2000.